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Aniversário Carolina Maria de Jesus
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Quem foi Carolina Maria de Jesus?

Carolina Maria de Jesus, também conhecida como Maria Carolina de Jesus, foi uma das primeiras e mais importantes autoras negras publicadas no Brasil.

Seu potente trabalho literário que passeia entre romances, contos, crônicas, poemas, peças de teatro, canções e textos de gênero híbrido, contam sobre a solidão, a fome, a pobreza, o amor, a maternidade e outros temas.

Vivendo à margem, Carolina Maria de Jesus encontra na escrita uma forma de sair da invisibilidade social que vivia, e acabou se tornando também, um instrumento de denúncia social.

Origem

Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, no interior de Minas Gerais, em 14 de março de 1914. Sua história, desde o início, é atravessada pela miséria. Filha de uma lavadeira analfabeta e com sete irmãos, passava uma vida cheia de privações e dificuldades.

Estudou apenas dois anos formalmente, no colégio Alan Kardec, onde ingressou com sete anos e fez a primeira e segunda séries do ensino fundamental. Teve que deixar a escola depois que se mudarem para a roça, pois sua mãe não conseguia mais manter a família na cidade.

Apesar do pouco tempo de estudo, Carolina aprendeu a ler e escrever e despertou para o mundo das palavras.

Mudança para São Paulo

Até os anos de 1930, a família de lavradores migrou para Lajeado (MG), Franca (SP), Conquista (MG), e voltaram definitivamente para Sacramento.

Em 1937, após perder a mãe, Carolina Maria de Jesus decide se mudar para São Paulo. Estava com 23 anos. Lá, trabalhou como empregada doméstica.

Mas no ano seguinte à sua chegada a São Paulo, Carolina ficou grávida. O pai da criança a abandona e fica muito mais difícil conseguir trabalho e lugar para morar. Acaba, então, se mudando para a Favela do Canindé, à margem esquerda do rio Tietê.

Foi neste lugar que Carolina Maria de Jesus deu à luz seus três filhos: João José, José Carlos e Vera Eunice, cada um de um relacionamento diferente. A família subsistia recolhendo materiais recicláveis pelas ruas.

Carolina registrava sua vida. Escrevia sobre o que conhecia, sobre suas dores. Em seus diários registrava a realidade da favela. Era apaixonada pelos livros.

Descoberta

O jornalista Audálio Dantas estava na Favela de Canindé pesquisando para uma matéria que falava sobre a expansão daquela comunidade e, ao conversar com moradores, conheceu Carolina Maria de Jesus.

Ela lhe mostrou vinte cadernos cheios de relatos e, de imediato, Audálio percebeu o talento de Carolina. Decidiu então ajudá-la a publicar seu primeiro livro.

Quarto de Despejo

Dantas convenceu uma editora a publicar os diários de Carolina de Jesus com o título “Quarto de Despejo”, em referência a como ela mesma percebia a favela em oposição à cidade.

Em 1960, “Quarto de Despejo: diário de uma favelada” é lançado, tornando-se um grande sucesso. O livro foi traduzido para cerca de treze línguas e chegou a mais de quarenta países, vendendo por volta de um milhão de cópias em todo o mundo.

Com o sucesso, Carolina deixa a favela e compra uma casa em Alto de Santana. Entre homenagens e agraciações, Carolina Maria de Jesus publica “Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada” (1961), “Pedaços da Fome” (1963) e “Provérbios” (1963).

Pós-ascensão e legado

Em poucos anos Carolina começou a ser esquecida pelo mercado editorial. Se mudou para um sítio na periferia de São Paulo e morreu no dia 13 de fevereiro de 1977. Terminou a vida quase nas mesmas condições que começou.

A pesquisa para o livro “Cinderela negra: a saga de Carolina Maria de Jesus”, feito pelo historiador José Carlos Sebe Bom Meihy em parceria com o historiador norte-americano Robert Levine, localizou, junto à família da escritora, uma caixa com trinta e sete cadernos com poemas, contos, romances e peças de teatro.

Com todo esse material foram publicados alguns livros póstumos como: Diário de Bitita (1986), Meu estranho diário (1996), Antologia pessoal (1996) e Onde estaes felicidade? (2014).

Carolina Maria de Jesus foi uma força descomunal. Uma porta voz da vida comum e das experiências reais. Ainda transforma quem a lê com sua verdade. A sua luta dentro e fora das palavras ainda não recebeu toda a reverência que lhe cabe. Que seu nome e obra vivam para sempre!

Fundada em 2009, é uma editora voltada para a publicação de conteúdos científicos de pesquisadores; conteúdos acadêmicos, como teses, dissertações, grupos de estudo e coletâneas organizadas, além de publicar também conteúdo técnico para dar suporte à atuação de profissionais de diversas áreas.

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