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Juventude e risco – uma análise de estereótipos estabelecidos pela nossa sociedade

Dentro de um estudo, que tem como pano de fundo a realidade sociocultural da juventude em situação vulnerável, Rayanne Suim Francisco e Gilead Marchezi Tavares, na obra “Juventude e risco: abrindo a sede ao meio no deserto das práticas de assistência social” – Paco Editorial, desconstroem os estereótipos estabelecidos pela nossa sociedade acerca do jovem pobre no Brasil.

Em um país de dimensões continentais, a análise no livro reafirma algumas das mazelas que atingem toda a nação. As desigualdades, os desafios e preconceitos enfrentados pelos jovens do município de Serra, Espírito Santo, são mostradas como um retrato daquilo que a periferia brasileira oferece para uma geração que sofre diante de uma consolidada e bem-aceita “naturalização de uma vida mortificada, de uma vida endurecida”.

Os personagens e os relatos mostrados exemplificam os discursos da mídia e de alguns especialistas que tratam desse tema, além de ressaltar que ao invés de apontar alternativas à quebra do atual estereótipo do jovem na periferia, esses discursos fortalecem os preconceitos e a falta de empatia por parte daqueles que não estão familiarizados com esta realidade, ao fazerem com que a pobreza funcione como um sinônimo para a sensação de insegurança que angustia nossa sociedade.

A obra ressalta que esse tipo de conclusão não analisa importantes aspectos como as incertezas causadas por uma composição familiar desestruturada; a repressão policial e o acesso precário a serviços públicos como educação, saúde e lazer, questionando se é “o pobre que produz o risco? Ou somos nós que produzimos o pobre perigoso?”

Realidade alternativa

Quando analisadas as circunstâncias enfrentadas pelos jovens ditos em situação temerária e vulnerabilidade social, mostra-se que a juventude e o risco caminham lado a lado e, atualmente, as pessoas encaram esta situação como algo de uma outra realidade. Tendo um “olhar estrangeiro” sobre algo que de fato está inserido no nosso cotidiano.

Outro ponto mostrado é que, para quem pertence a outra classe social, é difícil entender como a ausência de renda e a fragilização de laços afetivos tiram do indivíduo o sentimento de autoestima e pertencimento social, deixando-o vulnerável às tentações provenientes dos caminhos ilícitos.

Além disso, demonstra que quase sempre, aqueles que vieram de uma realidade socioeconômica privilegiada, enxergam a periferia como um universo paralelo, aonde estão inseridas pessoas de menor valor cultural e moral. Desse modo, acaba crescendo ainda mais as barreiras e o conflitos entre estas realidades.

Quebra de paradigmas

Como reflexão, o livro sugere uma maneira de dissolver essa barreira ao propor que cabe aos profissionais, que lidam com esses jovens, darem o primeiro passo para fugir do papel de subjugar àqueles que vivem em realidades ditas de risco, vulneráveis ao rompimento de valores e a falta de apoio, pois ao contrário do discurso comum, a periferia é rica de jovens sedentos por oportunidades e reconhecimentos.

Essa juventude está disposta a mostrar que “nascem flores nos lixões” e que, diante de um deserto de incertezas, também podem surgir oásis de oportunidades – porque juventude e risco não precisam continuar caminhando lado a lado.

Fundada em 2009, é uma editora voltada para a publicação de conteúdos científicos de pesquisadores; conteúdos acadêmicos, como teses, dissertações, grupos de estudo e coletâneas organizadas, além de publicar também conteúdo técnico para dar suporte à atuação de profissionais de diversas áreas.

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