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DIA DO TRADUTOR

No dia 30 de setembro comemora-se o Dia Mundial do Tradutor. Data que homenageia os profissionais que auxiliam na globalização dos conhecimentos e propagação de culturas.


No dia 30 de setembro comemora-se o Dia Mundial do Tradutor. Data que homenageia os profissionais que auxiliam na globalização dos conhecimentos e propagação de culturas.

O tradutor pode atuar em diversas áreas, como: trabalhos de tradução oral, interpretação simultânea em palestras e eventos, e tradução de textos, documentos, contratos, áudios, filmes e legendas.

A data também celebra o aniversário de morte de São Jerônimo, considerado patrono dos tradutores, estudantes e arquivistas. Jerônimo nasceu em 347 na Dalmácia – uma região que abrange territórios da Bósnia, Herzegovina, Montenegro e Croácia, na Europa – e faleceu em Belém, no Estado da Palestina, em 30 de setembro de 420. Foi ele quem traduziu a bíblia para o latim, a conhecida “vulgata”. Ficou conhecido como escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador, exegeta e também é considerado doutor da Igreja Católica. 


São Jerônimo Que Escreve, obra de Michelangelo Caravaggio em 1605
São Jerônimo Que Escreve, obra de Michelangelo Caravaggio em 1605

Bate papo com o tradutor:

Humberto Pereira da Silva

Humberto também foi responsável pela tradução do livro, La haine de la Littérature – Ódio à Literatura: uma história da antiliteratura- do historiador francês, William Marx.

Paco Editorial: Humberto, destaque a importância do tradutor em preservar obras e a transcendência do conhecimento.  

Humberto Silva:  Todo trabalho de tradução abre o horizonte para que o leitor tenha acesso a obras em outras línguas. O trabalho de tradução envolve uma responsabilidade enorme. Dizer ao leitor o que ele não teria como saber. Ora, há nuances bem delicadas na tradução. Aspectos bem específicos de uma dada cultura são intraduzíveis, ou a tradução pode acarretar em ambiguidades. Por isso, além, óbvio, do conhecido gramatical da outra língua, é de vital importância que o tradutor conheça o universo cultural que está traduzindo. Assim, a tradução se oferece, principalmente, como meio para que o leitor amplie sua compreensão do mundo, de culturas que sejam diversas da em seu idioma. Só com as traduções podem dar acesso as obras que formam o cânon das realizações humanas em âmbito universal.

PE: Quais os tipos de tradução existem no mercado e a diferença entre elas.  

HS: Há traduções em todos os campos do saber. Entendo que a poesia é a mais difícil de se realizar. A linguagem poética, figurada, torna praticamente impossível ser vertida para outro idioma sem que se perca muito de seu sentido original. A ideia de “transcrição”, adotada aqui no Brasil pelos irmãos Haroldo e Augusto de Campos, em minha opinião gera uma obra diversa da obra original. Acho importante a tradução de poemas que formam o legado cultural da humanidade. Mas entendo que o leitor deva sempre desconfiar da tradução. Além da poesia, a tradução de livro de filosofia é sempre difícil. A linguagem filosófica é repleta de sutilezas terminológica. Uma palavra má traduzida pode levar que se distorça o pensamento de um determinado filósofo.

PE: Como foi o de escolha para traduzir a obra Ódio à Literatura: uma história da antiliteratura?   

HS: O livro foi uma indicação do editor da Paco, Rodrigo Brito. Ele me propôs e eu encarei o desafio.A Paco, como me asseverou o Rodrigo, pretende dar sequência a uma linha de traduções, e o livro de William Marx é o ponta pé dessa linha.

PE: O livro aborda que constantemente filosofia, religião e ciências se voltam contra a literatura por meio de discursos que possuem em comum argumentos que visam minar sua autoridade, seu propósito de enunciar a verdade, sua carga de valores morais e sua aceitação social. Deste modo, ressalte a importância da literatura na sociedade.  

HS: A literatura, para mim, tem duas importâncias que prezo demais. Ela amplia minha compreensão da vida e do mundo para além da bolha em que vivo. Um grande romance me faz ver uma realidade que eu não teria como ver, um mundo, portanto, que escapa aos meus sentidos. Agora, exatamente agora, leio São Bernardo, de Graciliano Ramos. A leitura desse romance me põe diante de hábitos, costumes, comportamentos do interior do nordeste no Brasil no início do século passado. Ontem, li Eugênia Grandet, de Honoré de Balzac, e do mesmo modo se abriu para mim o interior da França nos primeiros anos do século retrasado. Além da compreensão da vida e do mundo, a literatura me ensina que em Graciliano ou Balzac vivemos experiências semelhantes a dos personagens em suas obras, por mais distantes que sejam os mundos deles entre si e o meu do deles.

PE: Deixe uma mensagem aos tradutores.

HS: Traduzir não dá dinheiro; é um trabalho de entrega, de paixão: o prazer de ver que alguém lerá um livro porque o tradutor deu essa possibilidade.


Ódio à Literatura

Uma história da antiliteratura

“Ódio à Literatura” trata da história da literatura, uma literatura que é objeto de escândalo. Uma literatura que é objeto de contestação ao longo da história, seja pelo seu entendimento ou pelo seu desentendimento. Este livro é, sobretudo, sobre a história da antiliteratura, sendo que “nomeia-se antiliteratura todo discurso que se opõe à literatura, e assim se define em oposição a ela”. Para explicá-la evoca-se os quatro litígios: a autoridade; a verdade; a moralidade; a sociedade. Quatro litígios dificilmente separáveis, uma vez que eles resumem as intenções da literatura e retratam nada menos que quatro frentes principais, quatro cenas primitivas que se articulam em diversos contextos, segundo diversas modalidades, com diversas capacidades para atender as mais diferentes intenções e interesses.

Fundada em 2009, é uma editora voltada para a publicação de conteúdos científicos de pesquisadores; conteúdos acadêmicos, como teses, dissertações, grupos de estudo e coletâneas organizadas, além de publicar também conteúdo técnico para dar suporte à atuação de profissionais de diversas áreas.

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