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A Hollywood da Boa Vizinhança

Pensar em cinema Hollywoodiano e política é trazer à mesa um apanhado complexo de representações socioculturais e históricas. A lista negra do final dos anos 40, marco da Guerra Fria, é o episódio mais lembrado neste sentido. A autora de Hollywood da boa vizinhança, entretanto, nos conta de um momento cujo desenvolvimento é anterior à Segunda Guerra. Quando uma das grandes preocupações do governo americano era estabelecer boas relações com a América Latina apoiado pela indústria cultural.

Estes esforços eram necessários porque na década de 30 havia uma real ameaça à influência americana. Eram as relações diplomáticas que muitos dos países do continente mantinham com a Alemanha nazista. Internamente, era travada uma batalha entre simpatizantes do Terceiro Reich e apoiadores da política externa norte-americana. É justo neste o momento em que a política da boa vizinhança começa a ser posta em prática.

Esta obra da historiadora, pesquisadora e docente do IFF, Fernanda Lima Rabelo, trata de alguns pontos importantes deste embate. Dentre estes, o principal é a criação do Office of the Coordinator of Inter-American Affairs. Esta agência, surgida durante o governo de Franklin D. Roosevelt, esteve envolvida nas políticas de aproximação com a América Latina. Era época em que as culturas regionais eram valorizadas por sua espontaneidade. Ainda que não deixassem de ser vistas também sob uma ótica estereotipada.

O estudo central do livro diz respeito ao papel dos documentários educativos produzidos pela referida agência. A imagem positiva difundida sobre os países sul-americanos pretendia explicitar pontos em comum com a cultura dos Estados Unidos. Vendiam ainda um potencial exagerado de democracia, outro incentivo à união entre as culturas anglo-americanas e ibero/lusoamericanas.

Assim, a obra lança um olhar atento às relações culturais e políticas entre Brasil e Estados Unidos. Tal análise permite entender a relativa americanização que atingiu o país e nossos vizinhos a partir do período analisado. Fernanda Lima Rabelo ressalta em particular como o Brasil foi um dos maiores beneficiados pela política da boa vizinhança norte-americana. Esta relação chegou a tal ponto, que os programas patrocinados pelo Office interamericano ganharam larga cooperação brasileira.

Ainda há espaço no livro para análise da recepção que estas políticas obtiveram da opinião pública. Especialmente, em vista do crescente autoritarismo que caracterizava o regime brasileiro de Getúlio Vargas. Também merece destaque a forma direta com que é discutida a bibliografia relevante ao texto. Trata-se de elemento importante para entender como se aproximaram os governos de Brasil e EUA.

Para empreender esta tarefa ninguém melhor do que Fernanda Lima Rabelo. A autora é doutora em história social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua especialização é História das Américas, com ênfase nas relações culturais e políticas entre Brasil e Estados Unidos no século XX.

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