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TRANSMIDIAÇÃO E AS CULTURAS JUVENIS

Como é possível vermos, vez ou outra, verdadeiras febres literárias entre adolescentes, capazes de levar esses jovens para feiras de livros lotadas, filas de autógrafo extensas e rodas de discussões acaloradas sobre personagens fictícios, em um país com taxas tão baixas de leituras entre esses mesmos jovens e reclamações diárias de professores sobre a falta do consumo de literatura dos seus alunos? É esse questionamento, que chega a ser paradoxal, que Cleusa Albília de Almeida decidiu investigar durante sua tese de mestrado e resultou no livro “Transmidiação e as Culturas Juvenis”.

A transmídia e a mutação da obra

O conceito de transmídia, elaborado inicialmente pelo professor Henry Jenkins, se resume na transformação e propagação de um conteúdo em várias plataformas. Ou seja, a história de um livro não fica nele, ele se transforma em filmes de cinema, séries de TV, discussões em podcasts, resenhas em vlogs, fanfics nos sites, fanarts nas redes sociais, e assim por diante. É uma experiência que aproveita ao máximo de um mesmo conteúdo e gera a imersão do leitor naquela história e naquela cultura.

Cleusa Albília foi adiante com esse estudo ao observar de perto um processo de transmídia acontecendo no caso das obras da saga “Crepúsculo”, da escritora Stephenie Meyer. Na época, entre 2010 e 2012, a série estava em seu auge, com o lançamento do último livro e produção dos filmes de adaptação dos mesmos. Ela relata que em escolas, shoppings e até na rua o assunto fervia e a obra ganhava mais força. Era a transmidiação acontecendo em tempo real, o que permitiu que a autora pudesse estudar a fundo esse fenômeno. Ela montou um grupo focal com jovens especialistas no assunto – dos livros, claro – para analisar as semelhanças e diferenças entre as cenas dos livros nos filmes correspondentes.

Os jovens como centro de transmídia

Outro campo que Cleusa Albília explorou foi a cibercultura. A utilização da internet para multiplicar uma história é um fenômeno relevante na transmídia. Naturalmente o ciberespaço é bem familiar para os jovens, então o fato que eles são os principais propagadores de transmídia não é de se espantar. Foi isso o que aconteceu com a obra “Crepúsculo”, como Albília descobriu em sua pesquisa. É lá que as “ficwriters” publicavam as suas versões da história e os sites especializados reuniam o “fandom” com notícias e discussões sobre cada pedaço da história, campo aberto para novas criações transmidiáticas.

“Transmidiação e as Culturas Juvenis” é um relato intrigante e divertido de uma transmídia viva, criada completamente por jovens com um desejo que não deixa uma obra fictícia encerrar nela mesma. Ao seguir essa vontade, as adolescentes se imergiram em um fenômeno midiático maior do que elas e, até sem perceber, passaram a colaborar para a criação ativa dessa cultura. Elas passaram de leitoras para produtoras de conteúdo, interagindo com a obra enquanto ela evoluiu para além da autora original e se perpetuou na história da literatura infanto juvenil.

Cleusa Albília de Almeida, nesse livro, traduz em palavras, um fenômeno complexo e típico da modernidade através das criações de um “fandom” de uma obra literária e prova que, sim, adolescentes leem livros.

A autora possui estágio pós-doutoral no Laboratório de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação da UFMT e doutorado em Cultura, Cidadania e Tecnologias da Comunicação pela Unisinos. Seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da UFMT resultou na publicação deste livro.

Fundada em 2009, é uma editora voltada para a publicação de conteúdos científicos de pesquisadores; conteúdos acadêmicos, como teses, dissertações, grupos de estudo e coletâneas organizadas, além de publicar também conteúdo técnico para dar suporte à atuação de profissionais de diversas áreas.

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