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SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA!
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SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


Data criada para homenagear e trazer conscientização a população sobre o sofrimento e a luta dos negros brasileiros, o dia da consciência negra traz muito mais para considerar do que é possível pensar em apenas um dia. Por isso, a semana toda é dedicada a eventos de conscientização e comemoração da resistência negra no país.

Durante o período colonial do Brasil, 4,6 milhões de africanos foram tirados da sua terra natal e trazidos para o Brasil.

Trabalhavam em condições desumanas e sem perspectiva; foram o grande motor das lavouras de cana-de-açúcar e, depois, da mineração no país.

A condição de vida a qual eram submetidos era extremante precária, com trabalho forçado e tratamento degradante, sem direitos básicos como médico, educação ou qualquer assistência.


O surgimento do Dia da Consciência Negra.

Além do tratamento humilhante a que foram submetidos por mais de 300 anos, os africanos e seus descentes carregam as heranças da escravidão até os dias atuais.

Libertos da escravidão em 13 de maio de 1888, pela lei Áurea, após uma luta dura de abolicionistas e da própria resistência negra, esta população foi simplesmente jogada a sua própria sorte.

Sem apoio e vivendo em uma sociedade racista, muitos negros nunca tiveram qualquer escolha se não permanecer nas fazendas onde eram escravos. Sem instrução e mal sabendo escrever o próprio nome, o único trabalho que conheciam era o labor intenso a qual eram submetidos antes da libertação.

Foram empurrados à margem da sociedade, tendo que procurar áreas afastadas como os morros do Rio de Janeiro, para construir suas casas precárias e sem acesso a qualquer infraestrutura.

A população negra, continuou sendo marginalizada e perseguida e precisou se organizar em comunidades em que pudessem lutar por seus direitos e apoiar os mais vulneráveis.

Essas organizações, começaram então a buscar por igualdade racial e integração da população negra na sociedade brasileira com o mesmo tratamento que os brancos.

Na década de 70, grupos de quilombolas começaram a reivindicar a celebração do Dia da Consciência Negra na data de 20 de novembro, data escolhida por ser o dia registrado como a morte de Zumbi dos Palmares no ano de 1695.

Zumbi é um dos maiores líderes e o símbolo da luta por libertação do negro do sistema escravagista.

No ano de 1978 com o surgimento do movimento negro unificado no país, várias ações para pensar na consciência negra e combater o racismo no Brasil surgiram e a data passou a ser lembrada. Logo passou a ser considerada por lei como o dia representativo da luta da população negra no Brasil.

A data e toda a semana em que está inserida é dedicada para a reflexão sobre a condição do negro na sociedade brasileira, sua luta, sofrimento e resistência que dura até os dias atuais.


O que significa o dia da consciência negra?

Apesar de ser uma data para comemorar a liberdade, é principalmente para debater sobre o racismo estrutural da sociedade e promover a integração social e a igualdade.

Por esse motivo, a semana da consciência negra e repleta de eventos voltados para a reflexão e conscientização.

É um momento para pensar sobre o reflexo da influência do extinto sistema escravagista sobre a atual desigualdade entre os cidadãos brasileiros brancos e negros, e essa necessidade é evidenciada em fatos.

Quase 54% dos habitantes do Brasil se autodeclaram negros (pretos e pardos), segundo dados do IBGE.

Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), promovida em 2017 pelo IBGE, foi apontado que a renda média da população preta e parda e de R$ 1.570 enquanto a renda média da população branca é de R$ 2.814.

Ou seja, após 132 anos da promulgação da lei Áurea, ainda existe um abismo entre brancos e negros no país.

A semana da consciência negra está aqui para nos lembrar que a população negra ainda não conseguiu a igualdade e integração, direitos pelos quais vem lutando desde o Brasil imperial.


Reconhecimento cultural.

Na semana da consciência negra reconhecer a cultura e ancestralidade negra no Brasil é um dever cívico da sociedade.

Devemos cultivar a ideia de que a cultura negra é integrante da cultura brasileira e também um dos seus pilares.


Reflexão social.

Mesmo sendo maioria da população brasileira, para os negros existem menos acesso à educação de qualidade, são minoria nos cargos de liderança social e ocupam posições pouco privilegiadas no mercado de trabalho.

São parte mínima dos magistrados brasileiros, e a maioria entre os desempregados ou subempregados.

São a maior parte da população carcerária e a parcela da população com maior incidência de homicídios.

Os dados são a triste constatação de que existe algo de errado em como a população negra vem sendo tratada em sociedade nos 464 anos que separam a chegada do primeiro navio negreiro e os dias atuais.

A semana da consciência negra não poderá ser um momento de simples celebração enquanto o racismo estrutural, a desigualdade social e a falta de oportunidade não forem eliminados.

A semana da consciência negra deve ser um marco na luta diária pela construção de uma sociedade igualitária.


Obras

A ESCOLARIZAÇÃO DO CORPUS NEGRO

Esta obra “narra o belo das cosmogonias de Áfricas, das convivências sagrado/profanas de povos que consolidaram experiências como afirmação do coletivo, de origens de tradições orais que, a despeito de todas as colonizações, se mantêm íntegras em narrativas de Tierno Bokar, Hampaté Bá e Fu-Kiau. Alberto nos escreve sobre árvores do esquecimento, mas nos sussurra a poética memória de velhas negras que mantém uma pedagogia subterrânea nos terreiros sagrados de nossa terra, mesmo que queimados em gesto de intolerância religiosa. Fala das políticas de estado voltadas para o branqueamento da sociedade brasileira, mas nos contrasta com o TEN – Teatro Experimental do Negro, e de Abdias Nascimento. Fala de casa grande e senzala, mas nos poeta Palmares e Zumbi. E nos apresenta a docilização permanente, proporcionada por uma escolarização idealizada por uma cultura colonialista, mas, com a mansidão de uma amorosidade de quem sabe exatamente do que está falando, nos presenteia com o sutil encantamento das mais belas vozes da resistência”. (Graça Veloso)


Este livro é uma referência indispensável na pesquisa sobre movimentos sociais negros, discriminação racial, desigualdades raciais, ações afirmativas e valorizativas. Apoia especialmente estudos e práticas em políticas de promoção da igualdade racial e Educação das Relações Étnico-Raciais. O livro demonstra mais de cem anos de luta de movimentos contra o racismo e por educação, algo formalmente constatado a partir de 1853, por meio da obstinação do professor Pretextato dos Passos e Silva. Luta que continua até os dias presentes.


Guerreiro Ramos esteve entre aqueles autores/ativistas que entenderam, na década de 1950, que a europeização do mundo era um processo racista e excludente. Mas como humanista que era, quis ver além. Defendeu a criação de um Brasil novo, nacional e popular. Daí sua interpretação original da negritude e sua crença na possibilidade de reeducação do “branco” brasileiro. Foi o nosso Fanon possível. Mas nem sua crítica, nem seu projeto de Brasil nasceram no vazio. Eles foram gerados na própria trajetória de Guerreiro: este “mulato” que virou “negro”, por conta de sua práxis no Teatro Experimental do Negro. Esta é a estória que este livro conta.


Esta obra atende à demanda de pessoas interessadas no campo de crítica literária afrodescendente., na pesquisa e ensino de temáticas relacionadas à afrodescendência, africanidade, etnia (Lei n° 10.639/2003), gênero, memória, construção de identidades pós-coloniais, como também tem seu propósito de dar mais visibilidade à obra de afro-brasileiros, afrodescendentes e africanos.


As Cotas para Negros em Universidades e o Princípio da Proporcionalidade são tema relevante à sociedade brasileira e compõem imperiosa necessidade de restaurar os males de Estado no reconhecimento dos direitos humanos. O Estado contemporâneo exige ações em prol de demandas sociais imprescindíveis, permeadas pelo republicanismo, daí a legitimidade desta obra, assentada na redução das desigualdades sociais e impondo seriedade ao tema. Dessa forma, o presente livro traz preceitos basilares e conceituais que permitem ao leitor plena compreensão da adequação do Estado à necessidade de afirmação dos direitos humanos.


Este livro conta histórias, inscreve dramas, adentra as casas senhoriais, debate leis, debate valores (honra, fidelidade, obediência), escravidão e pós-abolição, sentimentos de posse daqueles que, durante séculos, exploraram o trabalho de escravizados dentro de suas casas-grandes e de seus sobrados.


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