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Conteúdos Paco,  Serviço

Mulher deve votar?

Na América Latina, o Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer o voto feminino para suas cidadãs, contudo essa inclusão não foi fácil, cheia de percalços e controvérsias. Desde antes da Proclamação da República, mulheres reivindicavam o direito de votar, sendo que ocorreu muita luta e tentativas parlamentares de se estender o alistamento eleitoral para elas. Na Primeira República algumas mulheres como Leolinda Daltro, à frente do Partido Republicano Feminino (1910) e Bertha Lutz, presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (1922), estiveram à frente de associações que militaram pela extensão do voto. Apesar de algumas conquistas pontuais, como a implantação do voto feminino no Rio Grande do Norte em 1927, ele não havia sido instituído nacionalmente até 1930, quando da tomada de poder por Getúlio Vargas e os “revolucionários”, em outubro daquele ano. Uma das promessas do grupo era a de moralização da política, o que gerou um clima de expectativas entre as brasileiras que, como Elvira Komel e Nathercia da Cunha Silveira, externaram através da imprensa, esperanças de que o voto fosse assegurado e pressionaram os políticos. Em dezembro foi instituído várias subcomissões para reformar todas as leis do país e, entre elas, a da reforma da lei eleitoral. Foi das suas deliberações que foi aprovado o Código Eleitoral que, entre suas inovações, aprovou o voto feminino. E apesar de ter sido engendrado por homens, contou com a pressão de mulheres do movimento sufragista para a retirada de algumas restrições para as casadas e para as trabalhadoras implantando o voto nas mesmas condições para homens e mulheres. Às urnas cidadãs – comemoremos tal conquista.

Texto de Mônica Karawejczyk

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Em janeiro de 2015 foi incluído, no calendário oficial do Brasil, o Dia da Conquista do Voto Feminino. Apesar desse reconhecimento o brasileiro e a brasileira pouco conhecem sobre essa importante conquista, em que o país, no contexto da América Latina, foi um dos primeiros países a reconhecer esse direito no ano de 1932. Durante muito tempo, a história descrita nos nossos livros foi a dos feitos masculinos, das grandes batalhas, das figuras públicas. O silêncio, no que diz respeito à história das mulheres, também reflete no fato de que, por muito tempo elas não fizeram parte desse mundo público e político, locais exclusivos do poder dos varões. Esse mutismo conduziu algumas leituras equivocadas sobre a conquista do voto feminino, fazendo crer que o governo Vargas tivesse concedido esse direito por generosidade ou por mero capricho. Este livro procura dar visibilidade aos atos, aos fatos e as personagens que contribuíram para essa conquista por meio de discussões que ocorreram durante a feitura do novo Código Eleitoral e que levaram as brasileiras a serem incluídas como eleitoras e como candidatas da República.

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