O Sindicato que a Ditadura Queria

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Em 1964, o Brasil se vê mediante a um policiamento intensificado com a posse do General Castelo Branco, sob o título de primeiro Ditador na presidência do país. A política passa por transformações significativas e que afetam a todas as classes trabalhadoras. Os sindicatos, por serem de esquerda e com representação comunista, passavam a ser vistos pelo novo governo como uma ameaça político-econômica e social.

Para que isso não fosse possível, os sistemas sindicais e seus representantes, deveriam ser neutralizados, como uma forma de inibir as lutas pelos direitos à assistência social. Assim, a aplicação de um sistema ditador se apresenta para a doutrinação de um novo modelo de trabalhador: aquele que seria disciplinado e obedeceria ao regime a ser estabelecido pelo novo governo e que não deveria ter participação ativa nas lutas sociais.

Como o sindicalismo detinha grande influência por suas lutas à classe trabalhadora, o governo ditador decidiu desestabilizar o sistema dos sindicatos e, com isso, as novas reformas poderiam ser executadas sem que houvesse manifestações da sociedade contra o regime que se instalaria.

Todos os trabalhadores que lutavam por seus direitos, através dos processos de sindicância e que se posicionavam contra a reforma do novo governo, passaram a ser demitidos, como alternativa para preservar os interesses dos empregadores em conjunto com o novo modelo econômico que deveria se fixar a partir desse novo mandato.

Os sindicatos e os ditadores

Detentores do poder a partir de 1964, militares e a maioria dos empresários e patronos, assim como muitos civis coniventes ao novo governo, se mobilizam contra as manifestações dos trabalhadores, que lutavam por seus direitos pela melhoria das condições sociais.

Os sindicatos representavam todas as necessidades dessa classe e manifestavam o descontentamento com os salários baixos, as condições precárias de trabalho e a falta de assistência, através de projetos governamentais.

Em resposta aos movimentos sindicais, houve a repressão e a violência provenientes da chamada “Operação Limpeza”. A proposta dessa operação era expurgar a influência comunista e acabar com o sistema sindical praticado, envolvendo e conquistando a classe trabalhadora, para que o regime proposto pelo novo governo e, assim sendo, fosse aceito por todos sem contestação ou manifestações contrárias.

Operários na Ditadura

O cenário social no período da ditadura não foi satisfatório para os movimentos nacionalistas, socialistas, comunistas e de esquerda, que sofreram agressões, represálias e torturas, onde muitos foram levados à morte, como punição pela resistência.

Instalou-se um período de intervenção estatal, com incidência de desempregos, censura da imprensa operária e aplicação do “arrocho salarial”, que promovia a diminuição do poder de compra dos operários e trabalhadores. Com o estabelecimento do regime ditador, as sindicâncias passaram a ser limitadas, mas não deixaram de existir.

Conforme o governo impunha a nova ordem de trabalhadores, as militâncias passaram a ser localizadas, com as chamadas “Operações Tartarugas”, que consistia na diminuição do ritmo e no fluxo de produção durante o período de trabalho, numa tentativa mais contida de reivindicar por salários maiores e por melhores condições sociais para a classe operária.

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