Leitura e Literatura Infantil e juvenil

Tempo de leitura: 4 minutos

Não há dúvida de que a literatura abre as portas da imaginação e alarga a nossa visão de mundo. Devemos reconhecer, na mesma medida, que a infância e a juventude são momentos privilegiados para semear esse solo. É em torno deste tema que a obra “Leitura e Literatura Infantil e juvenil: limiares entre a teoria e a prática” desenvolve-se.

Tratando dos limiares entre a teoria e a prática, a obra reúne experiências de autores, pesquisadores, formadores e educadores sobre o tema. No livro, tratam especialmente da literatura brasileira contemporânea que é voltada para crianças e jovens. Os textos abordam o gênero em toda a sua rica variedade.

Na primeira parte do livro são realizados estudos de escritores, que partem de perspectivas históricas e analíticas. Na segunda estão os estudos que abordam o ensino da leitura de textos literários e a formação dos jovens leitores. As discussões presentes no livro são, acima de tudo, reflexões e práticas com grande potencial de aplicação na educação básica.

O insólito, as relações como o medievo em contos de Marina Colasanti e a leitura na formação de jovens

Esses estudos reunidos são iniciados com as reflexões de Rodrigo da Costa Araújo sobre o texto “Jogos especulares da ilustração em Angela Lago”, ao qual trata do insólito, seus análogos, e como estes refletem na obra da autora-ilustradora, Angela Lago. Em seguida, Luciana Siqueira Ribeiro e Thiago Soares de Oliveira fazem juntos uma análise crítica dos elementos sociais presentes em “O que os olhos não veem”, de Ruth Rocha.

Nair Fernandes Pereira, Edilson Alves de Souza e Vanessa Gomes Franca ajudam a aclarar ligações presentes em dois contos de Marina Colasanti. O que desvelam nos textos é a influência de ideias medievais no tocante às mulheres e à bruxaria.

Em Leitura e Literatura Infantil e juvenil ainda sobra espaço para realizar leituras embasadas pelos estudos da antropóloga Michèle Petit. É o que fazem Fabiano Tadeu Grazioli e Rosemar Eurico Coenga. A obra analisada por eles é “Olha a cocada!”, de Eloí Bocheco. O maior destaque aqui está nas abordagens inspiradas por Petit, que tratam diferenciadamente a leitura e a formação de jovens. Fabiano Tadeu e Rosemar Eurico falam ainda da forma como os personagens ajudam os leitores a reconstruírem a sua própria imagem e visão de mundo.

Leitura e Literatura Infantil e juvenil: jornada do herói, formação de leitores e a poesia no universo infantil

Cristiano Oldoni, Fabiano Tadeu Grazioli e Rosemar Eurico Coenga, abordam a dramaturgia juvenil sob o prisma da jornada do herói. Sendo assim, salientam aspectos importantes para a sua construção presentes na literatura contemporânea. Para tanto, dialogam com Joseph Campbell , enquanto analisam “A última cerejeira (uma fábula zen budista)”, de Abel Fragoso.

Em diálogo com esta abordagem, está o artigo de Matheus Luamm Santos Formiga Bispo e Sara Rogéria Santos Barbosa. Eles exploram três obras de Maria Clara Machado. São elas: “O boi e o burro no caminho de Belém”, “Pluft, o fantasminha” e “O cavalinho azul”. Os autores destacam como esses textos ajudam na formação de leitores mais críticos e atuantes.

No capítulo seguinte, Matheus Luamm Santos Formiga Bispo e Sara Rogéria Santos Barbosa, tratam da relação entre poesia e criança. Para empreenderem tal abordagem, fazem uma análise de “Ou isto ou aquilo” de Cecília Meireles. O objetivo é demonstrar os caminhos para desenvolver a prática da leitura poética e a apreciação da ludicidade das palavras.

Trabalho docente, práticas leitoras escolares, contação de histórias e a leitura poética no ensino fundamental

Também no viés educacional, está o trabalho de Cristiana Santana Moreira e Tiago Monteiro de Messias. A dupla trata especificamente do letramento literário, destacando os elementos fundamentais que orientam o trabalho docente intencional e efetivo. Sthéfani Marinho, por sua vez, lança a sua luz sobre as práticas leitoras escolares e o papel do docente na formação de cidadãos.

Simone Lancini busca analisar a importância da literatura infanto-juvenil na formação de leitores autônomos e críticos. Já Simone Maria de Bastos Nascimento, Maristela Aparecida Nunes e Eliane Dominico, refletem sobre a prática de contar histórias. Um meio que pode ajudar a incentivar o gosto pela leitura na infância.

Por fim, Ginete Cavalcante Nunes faz considerações acerca da importância da leitura de poesias no ensino fundamental. O texto apresenta caminhos e estratégias para implantar essa ação nas escolas promovendo, assim, o gênero poético. O objetivo é estimular o posterior consumo de obras literárias pelos alunos. São essas propostas que podem ser encontradas em Leitura e Literatura Infantil e juvenil, abarcando pesquisas literárias e também práticas voltadas para a sala de aula.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *