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“Díz o Índio…”

O Brasil possui aproximadamente 305 povos indígenas, totalizando uma população que chega a pelo menos 1 milhão de pessoas. Este contingente sofreu grande decréscimo graças à ação dos colonizadores. Seja em razão de extermínios ou das doenças trazidas pelos portugueses. A luta dos povos brasileiros nativos por seus direitos é o tema central de “Diz o Índio…”, obra de Rafael Rogério Nascimento dos Santos.

Quando comparamos a atual situação com o choque cultural original, há a impressão de que os índios ficaram “mais espertos”. A expressão traduz o fenômeno de seu domínio dos códigos culturais dos brancos, pois é apenas assim que conseguem fortalecer a luta pela garantia dos seus direitos.

Em raras ocasiões, esta população chegou às vias da representação política, como no caso do parlamentar e cacique xavante Mário Juruna. Em 2018, também marcou história Joênia Wapichana, primeira mulher indígena a ser eleita deputada federal. Em seu livro, Rafael Rogério N. dos Santos mostra que esta busca por voz e direitos não é fenômeno contemporâneo.

O contexto das reivindicações dos povos indígenas

Muitos antropólogos, ao entrarem em contato com as aldeias espalhadas pelo Brasil no final dos anos 60, surpreenderam-se com o que encontraram. Os povos ali reunidos haviam se articulado em torno de discussões e lutas acerca dos seus interesses. Os pesquisadores depararam-se, portanto, com algo que ia além dos seus objetos de pesquisa tradicionais.

Afinal, aqueles homens e mulheres indígenas estavam articulando-se a partir de suas agendas diversas. De tal modo que tratavam das políticas que envolviam a sociedade nacional, o Estado, e sua condição particular. Em suma, os antropólogos não encontraram as relações imobilizadas no tempo que esperavam. É neste contexto da mobilidade indigenista que se insere a obra “Diz o Índio…”.

Vale ressaltar que o momento descrito marca o início do campo de pesquisa contemplado no livro: a história indígena. Isto significa tratar os índios do Brasil como agentes históricos plenos e, consequentemente, agentes ativos dos processos que os envolvem. Não obstante, como vencer o desafio de avaliar a experiência colonial e comprovar o histórico de articulações destes povos?

“Diz o Índio…”: políticas indígenas no Vale Amazônico (1777-1798)

O grande desafio imposto à história indígena é ter acesso aos registros que não sejam de origem exclusivamente não-índia. É por isto que a obra de Rafael Rogério N. dos Santos tem por assunto a ação dos índios perante as políticas indigenistas. Mais particularmente, aquelas que ocorriam no estado do Grão Pará e Maranhão na segunda metade do século XVIII.

O autor valoriza as vozes indígenas presentes na documentação da época para demonstrar sua influência na política indigenista da Coroa. Assim, vemos na obra como os índios do vale amazônico foram à justiça da época denunciar arbitrariedades e reivindicar direitos.

Dando um caráter dinâmico e complexo ao Diretório dos Índios, o livro foca nos autores indígenas de modo a evidenciá-los. Sobretudo no que diz respeito à importância das suas ações para compreender os processos históricos. A recuperação do autor confere, deste modo, voz aos invisibilizados, revelando as vozes silenciadas da história amazônica e colonial.

O autor – Rafael Rogério N. dos Santos

O autor é professor no curso de Licenciatura em História da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. Além disto, Rafael Rogério N. dos Santos, no momento, é doutorando do Programa de Pós-graduação em História. O curso Strictu Sensu é realizado na Universidade Federal do Pará.

A área de estudo de Rafael está voltada especialmente à Amazônia Colonial. Sobretudo no tema da agência dos povos indígenas na época da colônia. Desta forma, o seu trabalho, incluindo “Diz o Índio…”, insere-se no campo da história indígena e do indigenismo.

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