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A GEOPOLÍTICA DO ESTADO E O TERRITÓRIO QUILOMBOLA NO SÉCULO XXI

O geógrafo Diosmar Marcelino de Santana Filho nos auxilia, pela obra “A Geopolítica do Estado e o Território Quilombola no Século XXI”, a compreender os territórios quilombolas, sua formação e seu apagamento no processo de construção do Estado brasileiro, propondo reflexões sobre as diversas questões territoriais, sociais e econômicas.

A Geopolítica do Estado e o Território Quilombola no Século XXI é resultado de intenso estudo sobre a dinâmica dos territórios quilombolas, partindo desde suas lutas passadas até suas definições atuais. Diosmar Filho busca, nesta obra, destacar a importância dos Quilombos e de que forma suas formações foram imprescindíveis para a consagração de toda uma cultura.

É importante destacar que estudos como esse têm revelado quando a formação do Estado brasileiro invisibilizou diversas culturas, como também a indígena, oprimindo os direitos desses povos e branqueando o território nacional. Percebe-se essa opressão por meio da própria literatura, que, evidentemente, protagonizou e pôs em destaque continuamente figuras brancas, valorizando suas experiências, suas funções sociais e seus territórios.

Dessa forma, os negros e indígenas foram sempre retratados como figuras subalternas, quando não romantizadas ou fora de seu espaço social e cultural – mas nunca como protagonistas de sua história e pertencentes ao seu território. Esse processo de branqueamento do país, retirou tais figuras do protagonismo, invisibilizando suas lutas e a formação de uma ampla e rica cultura.

E é observando essa desigualdade sociorracial que a obra Geopolítica do Estado e o Território Quilombola no Século XXI procura contar a história da formação do território nacional mediante o protagonismo dos quilombos. Diosmar Filho, portanto, destaca os papeis sociais e políticos dessa população, reconhecendo as lutas e as conquistas por direitos, a partir de uma leitura de muita qualidade que confere um real estudo sobre esses grupos há tanto tempo invisibilizados por nossa História.

Além de dar destaque ao quilombo – que tanto fora discriminado -, a obra possibilita que essa cultura seja mais bem conhecida. Estudos como esse permitem que, finalmente, se perceba o que foi e o que é o quilombo hoje no Brasil. É uma complementação do estudo que muitos, para não mencionar todos, os brasileiros não puderam adquirir durante sua educação básica. Portanto, a obra permite conhecer os quilombos, além de tornar os sujeitos invisíveis em cidadãos de direitos e permitir que se possa conhecer a real história dos quilombos. A obra faz refletir sobre questões atuais ainda preocupantes e que tornam a sociedade brasileira tão desigual, como o tão enraizado racismo.

A Geopolítica do Estado e o Território Quilombola conta com uma linguagem científica, aplicando métodos e técnicas da Geografia, História e Ciência Política, captando diferentes olhares sobre a formação dos quilombos, bem como suas lutas e consolidação para a formação do estado brasileiro. A obra ainda explora, teórica e metodologicamente, menções de grupos marginalizados no processo da construção histórica do Brasil, trazendo também reflexões e citações de outros autores para um estudo crítico e coeso sobre os quilombos. Sendo assim, a sua leitura é muito agradável, contribuindo para formar uma nova consciência sobre a história brasileira.

Sobre o autor

Diosmar Marcelino de Santana Filho é Geógrafo, Mestre em Geografia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), atuando como professor e coordenador acadêmico na UFBA. Suas pesquisas permitem, de forma epistemológica, contribuir com os estudos geográficos atuais, analisando as mudanças no espaço do Estado Brasileiro e revendo a ação política da população negra quilombola.

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