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O professor Luís Rafael Araújo Corrêa narra, em sua obra, a trajetória de um índio, no Brasil do século XVIII, durante as transformações sociais impostas pela Coroa portuguesa, que vive uma história de religiosidade, feitiçaria e busca por ascensão social.

O índio Miguel Ferreira Pestana viveu grande a parte da sua vida como inúmeros indígenas do solo brasileiro no Brasil setecentista. Morou em aldeamentos, fora batizado pela Companhia dos Jesuítas e realizava as tarefas solicitadas pelos religiosos cristãos. No aldeamento de Nossa Senhora da Assunção, em Reritiba, aprendeu e exerceu funções de carpintaria, onde também se casou e viveu como subalterno na sociedade colonial.

Esse cenário se mantém até o momento em que Miguel Pestana é enviado, pela condenação do Santo Ofício, a prestar serviços aos Galés, mudando seu status de índio aldeado para índio evadido. Assim, se iniciam as suas andanças entre o Espírito Santo e o Rio de Janeiro, dando evidência para sua experiência e práticas com a feitiçaria, que tanto rondavam pela América Portuguesa.

Nessas andanças, Miguel Pestana entra em contato com múltiplos contextos sociais, envolvendo-se com diferentes espaços físicos e interagindo com todo o mundo colonial, em busca de seu lugar na sociedade. Foi acusado de feitiçaria, sofreu processo inquisitorial do Santo Ofício e reviveu o papel das aldeias e das práticas religiosas.

O resultado dessa obra é uma narrativa emocionante e que desmistifica o índio submisso e alheio às ordens impostas pela Coroa portuguesa. O autor possibilita o contato com os reais mandingueiros e suas atividades no Brasil do período colonial. Por isso, esse é um belo retrato das práticas mandingueiras realizadas na época, deixando-se de lado as mitificações ou romantizações das tradições culturais e religiosas que, por tanto tempo, ficaram invisíveis.

Todo esse estudo e as pesquisas realizadas e apresentadas na obra, sobre os caminhos percorridos por Miguel Pestanha, renovaram os estudos históricos, visto que a obra demonstra, além das práticas mágicas, as ressignificações culturais e o papel das aldeias, as múltiplas formas de mestiçagem.

Ao relatar a história de Miguel, Luís Rafael ainda possibilita que se dê voz a personagens que só agora passaram a ser valorizados na historiografia brasileira – como índios, negros e mestiços, e suas reais práticas culturais. A trajetória de Miguel mostra, com contribuições historiográficas, os acontecimentos e as tradições culturais que, até então, estavam invisíveis, já que deu voz e visibilidade a agentes subalternos e suas relações com o contexto colonial.

O professor Luís Rafael Araújo Corrêa tem neste livro o resultado de uma excelente tese defendida na Universidade Federal Fluminense, em março de 2017. É doutor e mestre em História Social, atuando em temas como colonização na América Portuguesa, povos e aldeamentos indígenas, Companhia de Jesus, mestiçagem, Diretório dos índios, micro-história e Inquisição portuguesa. Sua obra, Feitiço Caboclo…, foi resultado dessa ampla pesquisa em diferentes fontes históricas, dando voz aos reais personagens que viveram o Brasil do século XVIII.

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