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Attílio Corrêa Lima nasceu em Roma, Itália, em 1901. Foi urbanista, arquiteto, designer e paisagista. Em sua trajetória acadêmica, primeiro foi aluno livre nos cursos de pintura, escultura, gravura e arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes (Enba), em 1919, quando tinha 18 anos. Depois, em 1920, torna-se aluno regular do curso de Arquitetura. E em 1925 conclui o curso, diplomando-se.

No ano seguinte, no Salão Nacional de Belas Artes (SNBA), Attílio Corrêa Lima consegue o primeiro reconhecimento, uma medalha de ouro e, como prêmio, uma viagem ao exterior. Em 1927, já em Paris, o arquiteto frequenta o Instituto de Urbanismo da Universidade de Paris (IUUP), Sorbonne.

Em 1930, a tese “Avant Project d’Aménagement et Extension de la Ville de Niterói” é defendida e Corrêa Lima verá sua tese ser publicada pela IUUP, em 1932.

No ano de 1931, o urbanista está de volta ao Brasil e é convidado por Lúcio Costa para ser professor na mesma escola em que havia se formado, a Enba. Assume então a cátedra de urbanismo, parte do projeto de modernização do ensino da Escola Nacional de Belas Artes. Inicia-se aí uma carreira profissional notável, que tem entre os projetos mais famosos a Estação de Passageiros de Hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

Anamaria Diniz é arquiteta e urbanista, já tendo trabalhado em projetos residenciais, comerciais, institucionais e hospitalares. É Mestre (2007) em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (UnB) e, em 2015, tornou-se Doutora em Arquitetura e Urbanismo, pela mesma Universidade.

É professora do Curso de Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica de Goiás e agora é também escritora, lançando o livro O itinerário pioneiro do urbanista Attílio Corrêa Lima.

O livro: encontro de dois urbanistas

No livro O itinerário pioneiro do urbanista Attílio Corrêa Lima (2017), a professora, arquiteta e urbanista Anamaria Diniz coloca-se à disposição para narrar, documentar e analisar a trajetória desse pioneiro do planejamento urbano no Brasil, que foi Attílio Corrêa Lima (1901 – 1943).

Com grande generosidade e, ao mesmo tempo, forte acento crítico, Anamaria Diniz deslinda a trajetória de Corrêa Lima com vistas a jogar luz na institucionalização do urbanismo no Brasil, quando a disciplina passou a ser pensada por governos municipais, estaduais e federais como essencial no processo de construção e desenvolvimento de nossas cidades.

Se, num primeiro momento do urbanismo brasileiro, a preocupação centrava-se nas necessidades de criação de infraestrutura, Attílio Corrêa Lima fará parte de um segundo grupo de urbanistas, fortemente influenciados pelos cinco pontos da nova arquitetura, de autoria do arquiteto naturalizado francês Le Corbusier (1887-1965).

Preocupado em aliar os princípios da arquitetura e do urbanismo, Corrêa Lima pensava um projeto de cidade como integração crítica dos fatores urbanísticos, culturais, sociais e naturais.

Attílio Corrêa Lima esteve envolvido em vários projetos, como nos conta o livro de Anamaria Diniz. Um deles foi o Plano Urbanístico de Goiânia, projeto inacabado por discordâncias em relação à postura especulativa da empreiteira, que realizaria o projeto. Ao que parece, a história de Attílio Corrêa Lima anda mais atual do que nunca.

Leitura recomendada

Para escrever o livro, Anamaria Diniz considerou a rica formação de Attílio Corrêa Lima e foi além, trabalhando com um material de memórias. Para tanto, consultou as 58 cartas trocadas entre o urbanista e seu pai, o escultor José Octávio Corrêa Lima.

Escritas entre 1927 e 1931, as cartas dão conta do cotidiano de Attíllio como urbanista e, por isso mesmo, acabam formando um panorama sócio-histórico e econômico da época, em que aparecem os problemas enfrentados no pós-guerra, a crise de habitação no país e a necessidade de modernização do cenário urbanístico brasileiro.

A autora volta sua atenção para o processo formativo do urbanista no Instituto de Urbanismo da Universidade de Paris, para pensar o ensino do urbanismo e também para discutir os embates entre a visão higienista do século XIX e a cidade-parque do século XX.

Material rico para quem deseja conhecer uma parte importante da formação da cidade moderna no Brasil, o livro de Anamaria Diniz é não só um relato da vida e da obra de Attílio Corrêa Lima, como também um documento da construção da história do urbanismo brasileiro.

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