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Publicada recentemente pela Paco Editorial, a obra Os Carnavais Cariocas e sua Trajetória de Internacionalização (1946 a 1963) é fruto da tese de doutorado de Danilo Alves Bezerra, professor da rede pública de ensino de São Paulo.

Dividido em três capítulos, o livro consegue nos transportar, através das suas mais de 400 páginas, para os desfiles de samba e para o burburinho do carnaval carioca, prendendo-nos do começo ao fim em uma narrativa minuciosa, histórica e cultural que é capaz de nos arrebatar para meados do século passado, a fim de observarmos uma trama prazerosa, instigante e de resistência.

Como um engenheiro que cuidadosamente projeta uma casa, fazendo os cálculos necessários para mantê-la de pé, o autor, com esmero, forja caminhos que notoriamente mostram a sua capacidade de pensar de forma sistêmica, tanto que adota em seu livro o método cronológico para nos fornecer um carnaval que, ao longo do tempo, dialoga, resiste, pensa e se internacionaliza.

No primeiro capítulo você vai se deparar com um Rio de Janeiro preocupado em reforçar a cultura do carnaval, não apenas a título de festejo, alegria, lazer e alegoria, mas também a título de pacificação e de confronto com o discurso de guerra. O carnaval de 1946 a 1951 é um carnaval pacífico, preocupado em estruturar grandes festejos visando fortalecer a pluralização das escolas de samba.

O carnaval de 1952 a 1956 é o foco do segundo capítulo. Bezerra registra o fenômeno da reunificação dos desfiles das escolas de samba e da aproximação desses desfiles com a periferia e com a classe média. Os desfiles passam a se tornar a principal atração nos carnavais desta época e a concentrar, nas ruas da periferia e da classe média, grande multidão que, anestesiada, entra no ritmo e se afoga na alegoria da festa.

O terceiro capítulo é o ápice da obra aqui analisada, isso porque é nesse momento que o autor fornece os elementos para nos fazer pensar no carnaval não apenas como um espetáculo local, mas agora como um espetáculo internacional, fragmentado na memória coletiva cultural de uma sociedade global que não abre mão de experimentar o carnaval do Brasil, nem que seja acompanhando o clima alegórico através de dispositivos midiáticos, como a televisão.

Nos entremeios de cada capítulo, o autor se vale de uma rede de teóricos e de fontes de pesquisas que conferem à obra um caráter robusto e consistente sob o ponto de vista científico, histórico, interpretativo e crítico, tornando-a, portanto, inédita sob o ângulo no qual ela se sustenta, qual seja: pensar o carnaval e seus principais elementos em um espaço-tempo determinado, buscando constituir a trama de seu processo de internacionalização, até chegar ao momento em que ele passa e se tornar o signo cultural de maior representação do Brasil.

É uma excelente fonte de conhecimento para quem deseja se aprofundar não só na história do carnaval e de seu processo de internacionalização, mas também pensar o carnaval como um ato político e de resistência. É recomendada para historiadores, antropólogos, cientistas sociais e quaisquer pessoas que amam o conhecimento.

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