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História de Salvador Allende no Cinema de Patricio Guzmán

Em 2003, então aniversário de 30 anos do golpe militar sofrido pelo Chile em 1973, o cineasta Patricio Guzmán lançou Allende. O objetivo do diretor era não deixar esquecer as atrocidades sofridas pelo seu país, também pretendia salientar a importância do compromisso político dos criadores desta arte tão magnética que é o cinema. Allende – História de Salvador Allende no Cinema de Patricio Guzmán trata justamente deste assunto. Para tanto, analisa cuidadosamente a filmografia do cineasta chileno.

Fabio Monteiro contribui para o debate a respeito do potencial da linguagem cinematográfica como forma de compreender o mundo. Na verdade, a relação entre cinema, história e política é velha conhecida dos estudantes da sétima arte. De Eisenstein a Leni Riefenstahl, passando pelos expoentes do cinema novo, como Glauber Rocha. São vários os exemplos que corroboram a afirmação, o que não significa que este estudo específico possa se esgotar.

Afinal, a variedade de obras que servem de registro e reflexão acerca de momentos históricos importantes estimula uma análise contínua. Naturalmente, os filmes estão profundamente imbricados na história de nossos irmãos latino-americanos. É neste tocante, que é importante relembrar o papel fundamental de Patrício Guzmán na denúncia e na resistência ao regime Pinochet.

Já no período entre 1973 e 1979, o cineasta chileno revolucionava o cinema documental por seu caráter de testemunha. Em A Batalha do Chile, produzido neste período, e que resulta em três partes, estão registrados os momentos mais turbulentos do país. Ou seja, todo o brutal golpe de estado apoiado pelos Estados Unidos. Assim como a deposição e morte do presidente eleito democraticamente Salvador Allende. A partir da década de 1990, Patrício investe em filmes com forte carga de rememoração da história chilena recente.

O cineasta faz parte do seleto grupo que se convencionou chamar de Novo Cine Chileno. Influenciados pelo neorrealismo italiano e com forte veia documental, o movimento trazia figuras como Helvio Soto e Miguel Littin. O primeiro responsável por Chove sobre Santiago de 1975 e o segundo por Ata Geral do Chile de 1985.

Littin foi inclusive funcionário do governo Allende, atuando como gerente geral da Chile Films. A instituição se destinava à democratização da sétima arte no país. Os cineastas eram bem vistos pelo governo de Allende, que reconhecia o cinema como “direito do povo”. Justamente por isso, ele clamava cineastas comprometidos com o ideal da “grande tarefa de libertação nacional”.

Em Allende – História de Salvador Allende no Cinema de Patricio Guzmán, o leitor brasileiro poderá apreciar uma análise da filmografia do diretor. Figura que conquistou o posto de um dos maiores expoentes do cinema latino-americano no mundo. De forma clara e didática, o autor estimula os debates sobre o valor de documento histórico das obras cinematográficas. É com rigor conceitual e precisão que o autor se dirige ao grande público nesta obra.

Fabio Monteiro é doutorando em História, com especialização em Cinema Documentário. Além disso, é professor de Humanidades e produtor do canal Vestibular em Cena. Neste último, elabora conteúdo voltado para a divulgação de materiais de história, filosofia e literatura. As pesquisas a que se dedica, por sua vez, tratam das permanências do governo Salvador Allende no cinema latino-americano. Os filmes como ferramentas de compreensão de mundo são uma das principais práticas que defende, conceito este que pode ser facilmente percebido em seu livro.

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